O papel do cirurgião de cabeça e pescoço na equipe multidisciplinar

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A descoberta de um nódulo endurecido no pescoço durante o banho ou uma rouquidão que insiste em não passar após semanas costuma ser o ponto de partida de uma jornada angustiante. O paciente, mergulhado em incertezas, frequentemente se vê diante de um emaranhado de especialistas: o oncologista clínico, o radioterapeuta, o fonoaudiólogo e o nutricionista. No centro desse ecossistema, o cirurgião de cabeça e pescoço atua não apenas como o executor de um procedimento, mas como o arquiteto de uma estratégia de sobrevivência e reabilitação. Muitas vezes, a primeira dúvida que surge no consultório é: “Doutor, por que eu preciso de tantos médicos se o problema é só uma ferida na boca ou um nódulo na tireoide?”. A resposta reside na complexidade anatômica da região. Imagine o pescoço como um corredor estreito onde passam vias respiratórias, digestivas, grandes artérias e nervos fundamentais para a fala e os movimentos da face.

Qualquer intervenção aqui exige uma precisão milimétrica. O maestro da estratégia terapêutica O papel do cirurgião vai muito além da sala de operações. Em casos de carcinoma epidermoide — um tipo frequente de tumor que se origina nas células que revestem a boca e a garganta —, a decisão de operar ou encaminhar para radioterapia e quimioterapia é tomada em conjunto. O cirurgião é quem avalia a “ressecabilidade”: é possível remover o tumor preservando a função da fala? Se removermos parte da mandíbula, como será a reconstrução? Aqui entra a importância da equipe multidisciplinar.

Em uma reunião técnica (frequentemente chamada de Tumor Board), o cirurgião discute com o radiologista as imagens de tomografia e ressonância para mapear a extensão exata da doença. Se o plano envolve a retirada parcial da laringe, o fonoaudiólogo já é acionado antes mesmo da cirurgia para preparar o paciente para os novos mecanismos de deglutição e fonação. Esse cuidado evita que o paciente se sinta “abandonado” após a alta hospitalar, um medo muito comum. Quando o bisturi é apenas uma das ferramentas Nem tudo é câncer.

Tratamos infecções profundas, abcessos cervicais e doenças das glândulas salivares que podem causar paralisia facial se não forem manejadas com perícia. No entanto, o diagnóstico precoce continua sendo o nosso maior aliado. Um exemplo prático: um tumor de laringe detectado precocemente pode ser tratado com uma cirurgia minimamente invasiva por via oral, preservando a voz quase integralmente. Se ignorado, pode exigir uma laringectomia total, mudando a vida do paciente para sempre.